AVE, CÉSAR!

ave cesar!

Mais uma típica comédia farsesca dos Irmãos Coen. Não chega a estar entre as suas melhores, mas seus bons momentos garantem a qualidade da obra.

Curiosamente, Ave, César! não segue uma das características mais marcantes da comédia dos Coen, o humor negro. Em um momento, provavelmente como uma piscadela para os fãs que naquele instante estavam sentindo falta desse elemento, parece que acontecerá mais uma daquelas peculiares mortes dos filmes dos irmãos, mas como este filme é uma exceção, ela acaba por não acontecer.

Na falta do humor negro, a dupla se diverte em recriar em tons propositavelmente exagerados, o mundo dos estúdios hollywoodianos nos anos 50, com o star system em toda a sua força, os egos, escândalos, astros irresponsáveis, lunáticos, ingênuos, estúdios gananciosos, roteiristas ressentidos, paranóia comunista, ao mesmo tempo desglamourizando e prestando reverência a um período considerado clássico do cinemão norte-americano. E um dos pontos altos são justamente as “recriações” dos tipos de produções em voga na época, tais como épicos bíblicos, musicais, westerns, dramas aristocráticos, entre outros, que, quando são “reproduzidos” alteram a proporção da tela da exibição para o padrão 1.375:1 da época.

George Clooney, velho colaborador dos Coen, lança mão da canastrice que sempre utiliza nesse tipo de filme e Josh Brolin também repete o tipo que costuma viver, o do cara certinho que tenta botar ordem em toda a loucura que o cerca. Ambos, contudo, atuam com a competência usual, Brolin dando humanidade a esse sujeito “escravizado” pela indústria e Clooney roubando a cena sempre que aparece. Vale destacar também o jovem Alden Ehrenreich cujo carisma nos faz ter a necessária simpatia com o único personagem que parece não ter sido contaminado pela vida hollywoodiana.

Longe de ter ser tão inesquecível como Onde os Fracos não tem Vez ou Fargo, ou tão doidamente hilário como Queime Depois de Ler ou O Grande Lebowski, Ave, César! ainda assim mantém o bom nível e a esperteza da comédia dos Coen. Tem o grande mérito de, no fim, resumir nosso sentimento pelo Cinema, quase tudo é falso, boa parte das pessoas envolvidas estão longe de serem perfeitas, mas continuamos amando incondicionalmente.

 

Por Lucas Coelho Gonçalves

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