CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

(Sem grandes SPOILERS, mas né… cada um tem seu limite para eles, então, cuidado!)

capitao america guerra civil

O maior mérito de Capitão América: Guerra Civil é ter dado certo. Explico: em um filme desse tamanho, com uma temática complexa, ao menos em relação ao gênero “super-herói”, com um número grande de personagens relevantes, as chances do resultado sair insatisfatório são enormes. Mas os irmãos Russo domaram a fera com a unha e fizeram com que o filme, na maior parte de seus elementos, funcionasse e – por vezes – de uma forma acima da média.

Um dos segredos para fazer tudo isso ter ressonância com o público foi dar um conflito real, que divida posições dentro e fora da tela, mas, mais do que isso, dar aos personagens razões convincentes para que tomem determinado partido de acordo com sua personalidade e seu desenvolvimento entre os filmes. Há uma noção trágica nisso tudo, pois ambos os lados possuem argumentos convincentes e igualmente têm seus pontos cegos. Você pode admirar a integridade e a lealdade de Steve Rogers, ao mesmo tempo em que lamenta que sua cabeça-dura impeça de ao menos se tentar chegar a algum entendimento; bem como ver como positivo o fato de Tony Stark se sentir culpado pelas causalidades ocorridas nos grandes eventos envolvendo heróis – e honestamente, em alguns casos ele foi – e estar disposto a fazer algo em relação a isso, mas desaprovar o seu pragmatismo que o faz consentir com medidas duras em relação a amigos, colegas, gente que sabe não serem inimigos; e se comover com ambos ao perceber que cada decisão que tomam levando em direção ao confronto é feita de forma pesarosa, pois isso é muito maior do que excluir um amigo no Facebook.

Outro segredo é saber que, sim, é um filme de temática complexa, mas ainda é um filme de super-heróis, seus personagens ainda vestem armaduras vermelhas, escudos embandeirados, vestem asas, soltam teias, mudam de tamanho, são criaturas sintéticas que vestem pulôveres (?!!) e por aí vai. Sabendo disso, o filme dá o que se espera dele: pura ação heroica. Sabiamente, os irmãos Russo criam três momentos distintos de ação, o estilo Bourne domina as investidas dos Vingadores no início do filme, movimentação frenética e “realista” que pontuam tanto o tipo de ação pretensamente furtiva pretendida inicialmente quanto o resultado desastroso; a fantástica batalha entre os dois times, utilizando todo o escopo possível para ilustrar sua grandiosidade; e por fim a intimista luta final, um clímax emocional.

A sequência do aeroporto na Alemanha é exatamente o tipo de espetáculo nerd que deveria ser. Mais de uma dezena de superseres se engalfinhando em um espaço aberto, tendo seus poderes aproveitados das maneiras mais criativas possíveis. Dali dois personagens com pouco tempo de tela (na verdade, que entram e saem do filme apenas em função desta sequência) se destacam: o Homem-Formiga, aproveitando o timing cômico de Paul Rudd e as habilidades do personagem, inclusive a grande surpresa da batalha é protagonizada por ele, surpresa que é derrotada pelo outro grande destaque da sequência. Vocês sabem de quem eu estou falando, não? Pois é… o novo Homem-Aranha, vivido agora por Tom Holland, rouba a cena com sua jovialidade e tagarelice, provando até agora ser um grande acerto. O filme sabe o impacto que sua presença causa e parece partilhar conosco o sorriso a cada intervenção sua.

A outra novidade, T’Challa, o Pantera Negra, participa ativamente de todo o filme, espelhando os conflitos do filme em sua própria jornada. Ajuda a interpretação de Chadwick Boseman, que balanceia no olhar o tom nobre de um príncipe com o instinto selvagem de um guerreiro. Falando em interpretações, Chris Evans novamente demonstra “ser” o Capitão América, pode fazer de olhos fechados, mas sem jamais se acomodar no mesmo lugar, no piloto automático, coisa que infelizmente aconteceu com Robert Downey Jr. vivendo Tony Stark nos últimos filmes em que o personagem apareceu. Não aqui. Downey Jr. tem seu melhor momento com o personagem, ao viver a crise de um homem que tenta fazer o melhor ao seu jeito, mas que vai colecionando desastres e se afastando das pessoas. E aí há um mérito enorme dos diretores em observar esse arco dramático já existente nos filmes anteriores e dar o devido tratamento. Sua última cena no filme, na sede dos Vingadores, ele diz tudo sem falar uma palavra, antes de outro personagem entrar em cena.

Não é o melhor filme dos Estúdios Marvel, o posto ainda fica com Guardiões da Galáxia, e Capitão América 2: O Soldado Invernal é um filme melhor estruturado. Também acredito que não havia a necessidade de existir um vilão propriamente dito, o conflito poderia acontecer sem que houvesse interferência (mas, verdade seja dita, Daniel Brühl executa seu trabalho com competência e até emociona quando revela suas motivações). Nada que desmereça Capitão América: Guerra Civil como um espetáculo cinematográfico da maior qualidade e um verdadeiro milagre por ser tão bom mesmo com tanta coisa para equilibrar.

PS: Há duas cenas pós-créditos que estabelecem dois futuros filmes da Marvel. Nada imperdível, mas estejam avisados.

Por Lucas Coelho Gonçalves

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